quinta-feira, 3 de março de 2016

Evolução enfermagem: Evoluindo como enfermeiro no Québec - parte I



Olaaaaa gentemm! Belezinha?? (Ás vezes eu escrevo como eu falo, reparem não hehe)

Caros colegas enfermeiros, sentem aqui que hoje é dia de a gente começar um papo bacana, certo? Bora falar sobre a trajetória dos enfermeiros aqui no Québec? Então chega mais! Prepare um chá e ligue o notebook na tomada que o assunto é grande!

Pra começar antes de seguir tudo ao pé da letra do que vou escrever neste e no próximo post, se informe também nas fontes oficiais. "A Fabi, vc não tem certeza do que ta falando, é??" A resposta é: Sim e não! hehe!

Falando sério, o que eu vou escrever será baseado nas minhas experiências até então e do que funcionou pra mim segundo as pesquisas que eu fiz, mas como eu disse no post anterior, nada melhor do que beber direto da fonte right? Muito ajuda quem não atrapalha e eu morro de medo de acabar dando informação que acabe atrasando a vida (que já é dura no começo) dos meus colegas enfermeiros e por falar nisso, daqui a algum tempo esse post vai ficar velho e se vc estiver lendo isso em 2020, cuidado! Selo Bino de cilada*! Com certeza muito coisa terá mudado e provavelmente nada mais do que eu escrevi aqui estará valendo ainda.

Alerta realizado com sucesso, vamos começar!

Pra começar sugiro que você se faça as seguintes perguntas:

-Quero morar no Canada?

-Quero ficar no Québec?

-Estou disposta(o) a aprender françês QUÉBÉÇOIS? Sim amigos em letras garrafais pq o françês québécois é beeem diferente do françês da França tsé?* O seu um ano de intercâmbio na França te ajudará sem dúvida, mas no primeiro "faque"*, "pantoute"* ou "déguédine"* de um québécois com presa, vc vai dizer "ayoye! Não sei nada!!! ahhhhh!" Mas fiquem tranquilo amigos, não quero assustar ninguém, falo isso do françês do Québec pra que vc attache ta tuque avec de la broche*. Com estudo, paciência e bom humor tudo é possivel et tu vas finir par y arriver!*

-Quero realmente me tornar enfermeiro no Canada? (Vcs vão entender a pergunta mais pra frente)

-Tenho paciência?

-Tenho budget? Tenho como conseguir essa grana, caso não a tenha no momento?

-Estou disposta(o) a me dedicar para a equivalência e os estudos?

-E a pergunta que eu considero mais importante: Estou disposta(o) a "voltar" alguns passos pra trás na carreira?

Se a resposta for sim para a maioria das perguntas, parabéns!!! Pois mandem bala, entrem de cabeça no projeto enfermeiro(a) brazicois(e) com coraçao e mente abertos!

A resposta da primeira pergunta é facil de responder sim, sério gente, eu ja admirava o Canada de longe, morando aqui então! Não é exagero quando falam das coisas boas daqui. Claro que tem seus defeitos, e também não quero ficar esculachando o Brasil pra engrandecer o Canada (acho feio isso gente...), mas aqui é terra fértil de possibilidades, vc quer voltar aos estudos aos 60 anos? Allez-y! Vc descobriu que não quer ser enfermeiro e decidiu trabalhar no serviço de déneigement da cidade? Allez-y! Decidiu que vai trabalhar em figuração de filme? Allez-y!! Vc vai ter apoio e informação suficiente pra seguir pelo caminho que vc escolher. Brincadeiras a parte, a sensação que eu tenho é que aqui os caminhos se abrem pq é isso que uma sociedade mais igualitária te oferece: possibilidades! Todos tem acesso a segurança, apoio durante os estudos, vida digna mesmo com um baixo revenu, então isso é prato cheio pra decidir seguir pra onde te deixa mais feliz. Não se enganem, ninguém vai te dar o peixe pescado, aqui eles vão te ensinar a pescar, financiar seu barco e seu equipamento, o resto é com vc!

Segundo e terceiro ponto: Québec e françês. Porque vou tocar nessas questões? Por que ainda tem uma galera que entra na onda de que o Canada é país bilingue e acredita que se chegar com o inglês "da hora" e um françês "marromeno" da pra levar. Sim, isso é uma meia verdade. Se você for pra Montréal trabalhar no setor de serviços até vai, isso sim é possível. Mas agora se vc, meu querido colega enfermeiro, escolheu ser enfermeiro aqui nas bandas do Québec, sem escolha: tem que falar françês e se adaptar ao modo québécois de viver. A grande maioria, principalmente fora de Montréal se orgulha do seu françês, gosta do seu modo québécois de ser e cruzei com pas mal* de québécois separatistas*. Então sim, o modo de vida daqui precisa ser estudado por quem quer vir e precisa ser levado em conta na hora da decisão. O impacto dos valores e crenças de uma cultura diferente da nossa precisa ser levado MUITO em conta. Se não como fica? Fica uma eterna barreira entre vc e os québécois e ai meu caro...não rola integração, não rola adaptação, rola passagem de volta para o Brasil... Sem julgamentos de quem volta pq cada um conhece suas razões e quem ta na chuva pode se molhar (eu claro! hehe), mas segundo o serviço de pesquisas "DATAFABI" a grande parte das pessoas que acabam voltando - brasileiros ou não- é justamente por conta desse choque de valores e crenças. Hummm...é de se pensar, mesmo eu que ja cheguei aqui, penso muito nisso. Muito mesmo.

Sobre querer ser enfermeiro aqui no Québec, a resposta foi sim? Maravilha!! Primeiro passo: PESQUISEM, PESQUISEM E PESQUISEM! A equivalência é demorada e custosa. Tem piores por ai gente, os dentistas e os advogados...esses sim são processos demorados. Se vc é dentista ou advogado e está aqui fazendo equivalência, cara, me dá um abraço! Eu te admiro muito! Voltando a enfermagem (cuidado com o TDHA...), não custa avisar: Saiam do Brasil com o ok da OIIQ ou no mínimo com a certeza de que está tudo certo com relação aos documentos (que foi o meu caso). Depois que vc envia a demanda de abertura do processo e a ordem recebe toda a documentação, ela leva pelo menos 10 meses pra mandar o seu processo pro comitê avaliar e te dar uma resposta. Se toda a sua documentação demorar um ano para ser completada, acrescente mais 10 meses na conta e veja quanto tempo dá. Melhor chegar aqui já no jeito pra entrar pro Cégep do que ficar esperando agoniado a resposta (eu sou agoniada, eu ia ficar doidinha esperando a resposta daqui!). Sobre a documentação, eu vou escrever no post "Evolução de enfermagem: evoluindo como enfermeiro no Québec parte II" porque não quero ninguém dormindo em cima do notebook ou perdendo hora na manhã do dia seguinte!

Sobre ter paciência: vcs tem? Se a resposta for não (como era pra mim e ainda é as vezes hehe) tratem de aprender a ter. Imigrar é uma lição de vida, vc faz muito mais do que mudar de país e cultura. Dizer que são só essas as mudanças é superficial, a coisa é beeeem mais profunda do que parece. É preciso confrontar seus medos, seus defeitos e transpor os seus limites o tempo todo e isso...huummm é dificil. É uma oportunidade única de adquirir auto-conhecimento, é a sua chance de mudar algo em vc que vc gostaria de mudar, ou de no minimo se questionar o que seria legal ser mudado, então aproveitem!! Olha que chance? Quantos tem oportunidade de fazer esse curso na escola da vida? Poucos. Somos privilegiados, mas isso não quer dizer que seja facílimo e que não exija nenhum esforço, nananinanão grandão! Exige paciência principalmente se vc quer trabalhar na sua formação em outro país com os mesmos direitos de uma pessoa formada no local. Gente, isso não é pouca coisa, isso é algo de grandioso! Então, grandes feitos exigem grandes esforços e PACIÊNCIA.

Falando sobre bufunfa, o processo é caro por várias razões que eu vou abordar melhor no próximo post. Mas se vc quer vir pra cá, coloque naquele budget lindão que a gente faz de gastos antes de imigrar os gastos com a equivalência. Se te serve de consolo, eu ja ouvi falar numa maluca ai que casou com um cara que também é enfermeiro. Doida né? Dois processos, dois gastos a mais. Essa maluca sou eu, prazer!

Equivalência e estudos...ahh meus tempos de universidade..ralei como uma condenada, suei pelo meu diploma pra chegar aqui e estudar de novo?? Pois sim!! Levem em consideração isso também galera! Precisa, pelo simples motivo que não é moleza não senhor. O curso do cegep é puxado, porém eu estou amando, mas eu sou a pelega dos estudos, eu amo de verdade estudar (falou a nerd!) mas leve em consideração trabalhar isso na sua cabeça pra não chegar aqui e ficar agoniada(o) por tem que estudar DE NOVO. Meu maridão tem bem mais anos de experiência do que eu e a ordem decidiu que ele tem que fazer, além da integração de 8 meses, 1 mês a mais de complemento em geriatria. Vai entender. Pra nós foi bacana porque é um mês a mais de aprendizado, mas nós gostamos de estudar, lembra? Se vc não curte a idéia de estudar um pouco mais, reflita. Durante a integração é muito difícil trabalhar e viver com o bourse do prêt-et-bourses ou a ajuda do emplois Québec é possível, porém exige diversas concessões financeiras. Dependendo de como vc vivia no Brasil, isso também é um entrave no que diz respeito a adaptação. Essa questão do estudo nos leva a última mas não menos importante questão...

...Quanto de amor, apego, xodó vc tem com a sua carreira de enfermeiro no Brasil? Pois bem caro(a) futuro (a) enfermeiro(a) brazucois(e), pensez-y*. Vc tem 5 pós-graduações, 10 artigos científicos publicados, mestrado e doutorado, mas chegando aqui pode ser que vc tenha que trabalhar como preposé-aux-bénéficiaires* ou de alguma outra coisa que não o mesmo cargo que vc tinha no Brasil. Aqui vc é mais um enfermeiro estrangeiro e sim, vc vai ter que refazer toda a sua trajetoria profissional novamente com o mesmo carinho e dedicação que vc teve ao fazer no Brasil. "Ahhhh não, vc está me dizendo que nada do que eu fiz no Brasil vale no Québec??" a resposta é: não digo que sim porque dizer que toda a sua experiência e formação não valem de nada aqui é muito cruel e não é verdade. Conhecimento é conhecimento, ninguém tira de vc. A grande questão é que pra colocar em prática tudo, ou parte do que vc aprendeu no Brasil aqui no Québec, vc vai precisar ter paciência (lembram? Santa paciencia...) e muita humildade pra re-adquirir confiança, refazer seu network e experiências no mercado de trabalho québécois. E eles não estão errados. Vamos fazer um mise en situation* aqui: Imagine que vc é coordenador de enfermagem de um hospital de grande porte e está participando de uma seleção de enfermeiros pra um setor novo de UTI coronariana deste hospital. Imagina agora que vc tem 15 candidatos dentre os quais 1 é da Argentina, que nunca trabalhou no Brasil, mas tem 20 anos de carreira no seu país de origem, porém não tem como comprovar (vc nem nunca ouviu falar do hospital que ele mencionou no currículo). Ao entrevista-lo vc nota um sotaque forte e às vezes não entende perfeitamente o que ele está dizendo. Vc tem outros 14 candidatos também experientes, que trabalharam em hospitais que vc conhece a reputação e que -adivinhe só- falam perfeitamente o português. O que vc faz em uma situação como essa? Não contrata porque é argentino né gente, lógico hehehehe desculpem, não a resisti piada!

Falando sério, o que vcs fariam? Imaginou? Difícil né...Pois essa é justamente a lógica dos québécois. Aqui vc vai competir pela vaga de enfermeiros nascidos e criados aqui, com um françês ó, perfeito! Não tem jeito, a saída é começar de novo, não falo começar de baixo, porque não considero estar por baixo quando na verdade tudo isso serve de aprendizado de vida e considerando que não será assim pra sempre. Usando o mesmo exemplo do argentino, e se ele demonstrasse um real interesse em se integrar dizendo que trabalhou como voluntário na Cruz vermelha (meio irreal em se tratando de Brasil mas lembrem-se que estamos no campo da imaginação), que trabalhou como maqueiro em um hospital de grande porte pra poder conhecer um pouco sobre o funcionamento dos hospitais no Brasil e que tem um português bem falado com sotaque claro, mas que é até charmoso, as coisas não mudariam de figura? Pois bem, essa também é a lógica québécois em relação ao mercado. O que eles querem é ser conquistados, joguem o charme de vcs que é sucesso! Considerem isso como um fator bem importante na decisão de vir ao Québec trabalhar na enfermagem. Não é só de glamour de foto na neve postada no face que se faz a imigração, é também de foto no parque, nos pontos turisticos, restaurante (quando vc sair do bourses colega, não vai me gastar o dinheiro todo hein!), trabalho duro, dedicação e fé que tudo vai dar certo!

Cansei vc né? Putz o post virou um textão gigante, mas não se iluda, tem a parte II, ainda não acabou! Eba....haha! Esse assunto é complexo e não tem como falar menos que isso, ainda mais pra alguém que fala - e escreve- pouco como eu, mentira eu escrevo tanto quanto falo - muito!

Espero que tenha valido a reflexão que na verdade é uma introdução pra falar da parte mais burocrática no proximo post. Não adianta falar da parte burocrática se o espírito não estiver pronto, por que senão vc vai acabar não entendendo o porquê de fazer toooodo esse processo de equivalência. Como antes de fazer uma maratona é preciso fazer um bom alongamento, antes de pensar nas burocracias da equivalência, vale pensar sobre como se preparar mentalmente pra isso.

Por hoje é isso companheiro, vai pensando nesses pontos e se tiver algo que eu não falei aqui, escreva nos comentários, isso é uma troca e eu realmente gosto muito de conhecer diversos pontos de vista, isso me ajuda muito a refletir sobre tudo.

Até mais!


*Selo Bino de cilada: É uma cilada Bino! Clique aqui pra entender.

*Tsé: tu sais

*Faque: il faut que

*Pantoute: pas du tout

*Déguédine: dépêche-toi!

*Attache ta tuque avec de la broche: tiens-toi prêt

*Tu vas finir par y arriver: Vc vai acabar chegando la!

*Pas mal: bastante

*Québécois separatista: Aquele que quer que o Québec se separe do Canada para que ele se torne um pais independente.

*Préposé-aux-bénéficiaires: cuidador, seria o nível mais básico de cuidado no que diz respeito a enfermagem no Québec.

*Mise en situation: no contexto q eu coloquei seria como um estudo de caso.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

7 meses, 2 dias, 5 horas e contando!

Fala minha gente! Lembram de mim? Por hora eu voltei! Achei que não ia voltar a escrever aqui, mas por fim, depois que um amigo muito querido me incentivou a voltar escrever, refleti e acabei achando que seria legal escrever algumas coisas. Tratei então de arrumar um tempo pra vir aqui, porque afinal, escrever é uma terapia pra mim, e não engorda igual chocolate.

Fiquei pensando sobre o que escrever. Não consegui eleger um assunto pra começar, a lista é imensa! Cogitei a possibilidade de definir uma palavra pra resumir o que foram esses 7 meses de Canada e então escrever a partir dela. Impossível. Sobre o que falar então, minhas primeiras impressões? Documentos? Françês? Enfermagem? Não... a maioria desses assuntos são práticos e e eu acho mais bacana beber direto da fonte, ou seja, ler nas fontes oficiais.

Quase desisti quando...plim! Uma luz! Falar sobre as lições aprendidas! E foram muitas! E não foi de françês não meus caros, foi de vida mesmo! Tremendo! E então finalmente encontrei a palavra que eu procurava pra começar a escrever: Nascimento.

Vou falar sobre como eu nasci de novo no dia 22 de julho de 2015. Nesse dia eu respirei pela primeira vez o ar canadense. Pode parecer bobo, mas em uma das minhas muitas viagens na maionese, eu ficava tentando imaginar como era o ar do Canada, como seria o dia em que eu iria finalmente encher os meus pulmões de ar canadense por que essa é uma das poucas coisas que você pode fazer somente se você estiver presente no local, o resto você vê pelo google, mas algumas sensações só podem ser sentidas estando là, e respirar o ar só daria pra fazer quando eu chegasse. Eu sai do aeroporto de Montréal e enchi o meu pulmão de ar e pensei: é, to aqui! Bora começar!

Do caminho do aeroporto até o nosso apartamento eu me sentia meio como fora de mim, uma sensação de surrealidade tomou conta e parecia que no final do dia eu ia estar na minha casa em São Paulo. A impressão dos últimos abraços no aeroporto, das últimas horas do último dia em que eu estive no Brasil ainda estavam muito fortes em mim. Me pareceu uma história da qual eu não fazia parte, quase dava pra ouvir a voz de alguém dublando os acontecimentos. Foi um dia louco, surreal e que ainda tenho a sensação de que foi de mentira.

Foi ai a primeira lição que eu me dei conta de que eu estava aprendendo: É mais dificil sair da zona de conforto do que parece. O apartamento vazio, só com as nossas malas, me trouxeram um sentimento de estranheza enorme. Nada me era familiar, pra onde eu olhava, tudo era estranho, Tanto que uma das primeiras coisas que eu fiz no dia seguinte foi colocar alguns quadrinhos na parede que eu tinha feito no Brasil. Me senti bem, benditos quadrinhos! Por mais que a gente queira mudar de país, sempre tem algo que você acaba trazendo junto pra poder se sentir mais em casa. Ter um lar é muito mais do que ter um teto, é se reconhecer como pertencente a um lugar e é justamente isso que perdemos quando mudamos de país: a sensação de pertencimento.

Os primeiros dias não foram fáceis. A saudade veio de voadora com os dois pés no peito e doeu muito (e ainda dói, não tem jeito). Eu queria estar no Canada mas eu também queria poder me teletransportar para o Brasil. Um pé lá e outro cá. Meus caros, não tem escapatória, cedo ou tarde essa sensação vem, querer lá e querer aqui ao mesmo tempo, fazer comparações, procurar as razões de ter feito essa escolha e ser capaz de basea-las em fatos reais. Você olha a limpeza das ruas, a educação das pessoas, as árvores, até o formato das ruas procurando motivos para embasar e reforçar a sua escolha de ter mudado de país.

Não foi por dificuldades práticas como fazer documentações, matrícula da filha na escola, assinar internet, telefone que eu considerei os primeiros dias aqui difíceis. O Canada é um país lindo, organizado, fui tratada com simpatia e acolhimento desde o primeiro ar respirado aqui. Fazer as coisas práticas foram fáceis. O difícil foi que, apesar de tudo de bom que o Québec tem, eu ainda não estava confortável. Passado algumas semanas, eu comecei a ficar incomodada com esse incômodo (ãhn? oi?). Que palhaçada né pessoa? Escolhi fazer desvio de pensamento, assim que começavam os pensamentos que estavam me sabotando, eu os trocava por outros pensamentos, nem que fosse pra pensar em bolinhas de sabão! (Geralmente eu acabava pensando em chocolate e o pensamento me levava a ação de...comer chocolate!)

Foi então que, um dia, a mágica aconteceu! Me senti em casa pela primeira vez desde que eu tinha chegado! Desde que eu tinha saido do país que me gerou pra poder crescer fora do corpo da minha mãe o Brasil, esse dia foi o primeiro dia que eu me senti de verdade em casa, chez moi! Vou contar como foi.

Foi assim, tinha um parque no final da rua que a gente morava (é, eu já mudei do primeiro apartamento e inclusive de cidade, agora estou em Ville de Québec e nos mudamos no dia mais frio do inverno!), nesse parque ia passar um filme ao ar livre para as crianças as 20hs. Lá fomos nós aproveitar de toda a segurança que temos aqui (lindeza!). O filme acabou cerca de 21hs, busquei uma pizza pra comer e como estava absurdamente calor naquela noite, decidimos comer la no parque mesmo. Isso já era por volta das 22hs! E ali no parque, a noite, no meio da semana, com todas as outras famílias também ainda por ali, comendo, conversando, despreocupadas, eu olhei pra minha filha comendo sua pizza e eu vi o quanto ela estava em paz e segura e pela primeira vez na minha vida de adulta, eu estava como ela: em paz e segura. Essa sensação de segurança, de poder viver momentos assim despreocupados com a família, não tem preço. Respirei fundo e dessa vez foi o ar do meu lar que eu respirei. Me senti confortável e em casa. Que sensação boa!

Caros parceiros, essa foi a primeira das zilhões de leçons que eu aprendi até aqui. Tenho outras tantas que quero voltar aqui pra contar. A imigração - e a vida - é feita disso, dos momentos que te fazem feliz mas que são duros porque te fazem crescer como pessoa. Eu estou feliz com a escolha e a experiência, mesmo sendo eu às vezes um bebezinho chorão (normal pra alguém que acabou de nascer oras), nessa a gente também aprende a gerenciar emoções, a gente aprende a se conhecer, a gente se aprende.

Bom, por hoje é isso pessoal! É bom demais escrever, agradeço a você que leu.

Até a próxima caros!!

















terça-feira, 14 de julho de 2015

Tchau Brasil, salut Montréal!

Olá marujos tudo bem? Venho por meio desta dizer que logo em breve vou pular do barco chamado Brasil e entrar no barco chamado Canadá! Ebaaa!! Primeiramente desculpem o tempão sem dar nenhuma notícia por aqui, sei que quem está no começo, meio e também quase final do processo adora acompanhar quem  está mais avançado pra se animar, sim eu sei porque eu fazia isso hehe. E muito mais do que falar sobre como tudo aconteceu desde que eu postei pela última vez, eu quero falar um pouco da minha experiência até o recebimento do visto baseada na minha percepção de agora que tudo "acabou" - em apsas porque agora sei que o processo aqui no Brasil é só o começo....

Bom minha gente, depois do que me pareceu uma eternidade, o processo federal abriu! Ai meus caros...o tempo voou! E que sensação deliciosa comemorar cada avanço no processo, porque quem passou pela fase provincial entende bem a ânsia de chegar a hora das comemorações! Se preparem porque é na parte federal que o trem desce a ladeira e tudo vai rapidinho! Dêem uma olhada na minha timeline, foi tudo muito rápido e frenético graças  a Deus. Não tive nenhum problema com documentação, com atrasos, com nada. O único "contratempo" que eu tive foi que no dia que fui deixar os passaportes no consulado, a Maura me disse que mandaria um email avisando o dia de ir pegar, pois estou esperando até agora! Foi quando conversando com um amigo sobre a demora, ele me disse pra ser cara de pau e ir lá como quem não quer nada. Chegando eu descobri que eles ficaram prontos uma semana depois que eu os deixei lá e eu fiquei um mês esperando! Obrigada Maura, graças ao email que nunca chegou eu pude me deliciar de enormes barras de chocolates todos os dias pra dar conta da ansiedade.

Agora vou falar da sensação de pegar o visto...cada etapa é muito gostosa de ser vivida, mas pegar o visto teve um gostinho especial. Fomos nós três pegar, eu, Maridão e minha filha, quando a gente saiu do consulado e saimos do prédio, nós nos abraçamos e em silêncio os três suspiraram aliviados, um misto de alegria, gratidão e orgulho por ter passado por tudo e ter conseguido o primeiro passo para uma nova vida. Foi o momento mais lindo da minha vida, lembrei de cada dia consumido pela imigração, com os preparativos, com documentos, com BIQ, com francês, com tudo! E agora nossos carimbos finalmente estavam lá prontos para serem usados! Só conseguia pensar que seria muito bom dar aquele abraço em Deus, mas orei muito pra agradecer o quanto Ele foi maravilhoso pra nós!

Bom, ai vieram os preparativos e vou confessar uma coisa pra vocês, minha ficha demorou pra cair. Comecei vender as coisas, fiz planilha de tudo quanto é planejamento, comecei me desvincular dos vínculos e essa é a parte mais difícil. Não chega a ser ruim, mas a minha ficha foi caindo a medida que a minha casa ia ficando vazia, que eu me desfazia das coisas costumeiras do dia a dia e que quando eu pensava em coisas pra fazer em longo prazo e eu me dava conta que já estaria là-bas. O dia que alugamos o apartamento foi interessante, depois que fechei com o concierge e depositamos o valor do primeiro aluguel eu pensei: "Eita!!". Sério, pensei isso mesmo. Vocês vão concordar comigo, a gente durante o processo passa dias fantasiando como vai ser, e por mais preparado que estejamos, nunca vai dar pra saber ao certo qual vai ser a sensação e qual vai ser a sua reação na hora. Eu só conseguia pensar: "Eita" e "Gente..." e ás vezes um "tá acontecendo mesmo!!"

E começam as despedidas...sair do emprego, dar tchau para os amigos, para a família e então você começa a perceber que era mais enraizado aqui do que pensava e que vai ser difícil desenterrar as suas raízes pra replantar em um lugar tão distante. Foi bom sentir o quanto as pessoas estavam felizes por nós, nunca na minha vida ouvi tanta palavra de incentivo e isso foi muito bom, é legal se sentir amado, e é duro ficar longe daqueles que te querem bem.

Em suma meus queridos, minha conclusão agora é simples e suscinta: Vale a pena. Não sei sinceramente se vou conseguir voltar pra escrever sobre a imigração parte II, são muitas as novidades e muitas as coisas necessárias pra ser fazer no recomeço, mas a mensagem que eu quero deixar é essa, não desanimem, seja lá o que você sonhar pra sua vida, se jogue por que acredito que sempre há uma recompensa pelo esforço e dedicação. Cair faz parte do processo, mas a cada queda que tive, eu fui aprendendo a me levantar mais depressa e isso foi me preparando pra tudo que eu imagino que vou passar lá no Canadá. Eu sei que não vai ser fácil, não estamos indo pra turismo, mas um dia eu sei que vou olhar pra trás e ver que valeu a pena e que muito mais do que conseguir o objetivo, eu fui crescendo e acrescentando maturidade e experiência pra minha vida, porque tudo isso é que faz ela valer a pena.

Então caros, força na peruca, curtam o processo, tenham paciência (vai ser tenso ás vezes, mas passa podem crer), aproveitem os percalços pra aprender uma nova lição, um rebolado diferente na hora de ter jogo de cintura, sejam realistas e otimistas, mas acima de tudo, creiam. Acreditem que estão construindo uma história de vida pra valer a pena ser contada para os netos.

Merci beaucoup por terem lido e acompanhado tudo que escrevi até aqui!
Bonne chance à tous! Et moi? Je partirai au Québec! Bisou!

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Como vai sua saúde mental nisso tudo, caro imigrante?

Olá gente boníssima!! Como vão?? Caraca, um tempão que não posto nadica de nada...Aí vc me pergunta: O q aconteceu?? E eu te respondo: Conhece vida de brasileiro paulistano? Pois é..meus caros o tempo está curto pelos lados de cá e depois do CSQ achei que a vida ficaria mais tranquila, o processo menos difícil...pois NÃO! Durante todos esses meses eu fiz basicamente a mesma coisa: Me preparar e preparar a família pro grande dia! Vou resumir o andamento do meu processo pra atualizar vcs:
-Documentos para abertura da etapa federal chegaram em N.E no dia 30/10/2014 e o desconto da taxa foi em 19/01/2015 (aplausos!!). Mas ainda não recebemos o email de abertura com o número do ECAS (óóóóó...).
-Já está dada a largada para a validação do meu diploma e do maridão junto a OIIQ!! Foi aberto em Novembro/2014 e já chegou lá o formulário do COREN, falta do trabalho e da universidade..que está me dando uma dor de cabeça absurda! A universidade preencheu errado SÓ duas vezes e perdeu o último formulário que deixei lá, então estou beeeem preocupada PUTADAVIDAMESMO com essa parte. Desabafo feito, vamos dar continuidade.
-Já encaminhei o formulário para o MIDI pra validação das horas do meu diploma com a carta de prioridade da OIIQ, foi o último dossiê que tive que abrir, acho eu...
-Estamos fazendo a francisation en ligne e aulas particulares aos sábados.

Bom, resumo feito, bolsos vazios (haja taxa minha gente, tô falida!) e cheia boa vontade, vou chegar ao assunto deste post: E sua saúde mental nesse processo, como vai?

Vou começar a falar da minha. Desde que peguei o tão tão tão esperado CSQ tenho vivido um turbilhão de emoções, que vão do amor ao ódio. Sério galera, entrei numas de até questionar os motivos de ir embora (calma gente esse devaneio durou alguns segundos juro sem fazer figas).
Houveram (e haverá outros...) dias que me bateu ansiedade tão grande que seria capaz de roubar o chocolate de uma criançinha!

Ai foi a hora que disse pra mim mesma: Opa garota, vamos conversar. E essa hora chegou quando parei de olhar pra minha própria ansiedade pra olhar pra minha filha que começou a ficar ansiosa com essas história de mudar de país (assunto sobre como preparar as crianças para essa grande mudança merece um outro post com certeza, pq apesar de eles serem mini gente, sentem tantas emoções ou até mais que nós..).

Comecei a refletir sobre tudo o que eu estava sentindo, comecei a sentir medo de ficar longe das pessoas que mais amo, da família, dos amigos...O final do ano já teve um clima de despedida, nós estamos no clima de "essa é a última vez que faço isso aqui". É uma sensação bizarra e boa ao mesmo tempo.

Apesar de sentir tudo isso, a sensação de ânsia pelo novo me move, a vontade de começar logo minha vida lá me dá a certeza de que estou indo pelo caminho certo.

Cheguei a conclusão que não importa em qual fase do processo você está, a partir do momento em que você decide se tornar imigrante, algo muda dentro de você, e então você começa de fato descobrir que tipo de pessoa você é. A ansiedade, o medo, muitas vezes a frustração vão ser suas companheiras no dia a dia enquanto "aquele" email não chega com aquela resposta que não será apenas dizendo sobre o andamento do seu processo, mas sim do rumo que a sua vida vai tomar dali em diante e vou te dizer...tem coisa mais importante do que saber qual será o rumo da sua vida? É da SUA, da MINHA vida que estamos falando!! Mas também tem aqueles sentimentos maravilhosos que nos move: A felicidade da conquista, de saber que tudo passou e você vai poder finalmente mudar o rumo da sua história.

Enfim, aprendi que ansiedade, esperança, muitas vezes frustração fazem parte do processo de imigrar, pelo fato da demora e da incerteza, mas que também são na verdade uma oportunidade para o amadurecimento da idéia na cabeça. O tempo de espera nos permite sonhar e planejar como colocar em prática esse sonho, para que quando nós chegarmos lá tudo se concretize  e se torne realidade.

Agradeço a Deus não somente por ter colocado essa idéia na nossa cabeça e por ter nos sustentado até aqui, mas também por nos dar o tempo certo para amadurecer e planejar cada detalhe desse sonho até que ele se torne realidade. Je sais que nos plus belles journées à la belle Province sont bientôt arrivé!

E ai caros imigrantes? Como está a saúde mental de vocês?

Abraços, até a próxima! ;)



                                                        Haja chocolate...ops, coração!

sábado, 20 de setembro de 2014

Finalmente o CSQ!!!! La vie en bleu et blanche!!

Faaaaaaaaaaaala galera! Tudo bem com vcs?? Comigo vai muuuuuuuuuuuito bem!! Sabe aquele divisor de águas, aquele momento que vc sabe que mudará a sua vida? Gente o meu foi dia 18/09 e vcs podem imaginar o porquê! Bom, je vais vous raconter!! Foi a tão TÃO esperada entrevista! Gente, nem preciso dizer á vcs que são meus parceiros de trilha e compreendem très bien o que eu senti desde o dia que recebi o email com a data da entrevista, como estou me sentindo agora. Pois sim, vou começar a contar procês como foi!

Desde o dia que recebemos o email, vai eu fazer mil pesquisas e começar a montar "a pasta". Gente coloquei entre aspas porque toda vez que eu lia nos blogs sobre a montagem da pasta, eu já imaginava uma coisa muito difícil e trabalhosa, me dava até gastura de imaginar ter todo esse trabalho, Pois bem, tive que enfrentar a parada e ter "todo" esse trabalho. Sim, não foi nada do que eu pensei e foi muito bom ter montado a pasta, porque as pesquisas que fiz, vão nos ajudar lá no Québec. E tem mais, eu andava desanimada com preguiça mesmo de estudar francês e, nossa, como me ajudou!
Eu dividi assim o dossiê:
-História de Québec;
-Alguns dados (população, nome do primeiro ministro do Canadá, do Québec, etc..);
-Minha pesquisa sobre o lugar que queremos morar - Limoilou em Ville de Québec;
-Lista das escolas para minha filha em Limoilou;
-Lista dos Cegèps para fazer a integração para a equivalência;
-Endereços importantes (MICC, onde ir pra fazer a carte d'assurance maladie e NAS, etc);
-E por fim, um passo a passo de como validar o diploma de enfermeiro.
-Imprimi  também anúncios de aluguel de apartamento e de emprego (Preposé aux bénéficiaire, CEPI e enfermeiro).

Bom, o dossiê ficou lindinho, completinho! Juntei os documentos que solicitaram e agora só faltava a entrevista.

Gente, uma noite antes meu coração subiu pra garganta e não teve água que me ajudasse a engolir o danado de volta, que ansiedade! Também uma noite antes eu e maridão entramos no modo françês e ficamos assim até depois da entrevista, isso ajudou bastante a destravar a fala.
E quem disse que eu dormi? Nada, pensei mil coisas, tudo coisa bem besta, mas tudo me deixou com medo mesmo:
-E se faltar luz antes da entrevista?
-E se a conselheira de imigração não poder ir por qualquer motivo?
-E se eu esquecer a pasta?
-E se for greve de metrô, tiver outro conflito no centro de SP, e se chover, e se eu tiver piriri, e se, e se, e se.....AAAAAHHHHHHHHHHHH!
Da uma raiva quando me vem esses pensamentos inúteis...

A entrevista estava marcada para as 9hs, e nós chegamos na Aliança Francesa com 1 hora e meia de antecedência!!! Sim gente, o medo de se atrasar foi grande demais hehe.. Tomamos um café e depois ficamos lá dentro esperando. A sequência de reações e sentimentos foram essas: Taquicardia, mão gelada, maridão colocava mão no bolso e tirava, eu que não decidia que lado deixar o cabelo, camisa pra fora da calça, camisa pra dentro da calça, perna que balançava, olha a pasta, abre a pasta, checa a pasta, fecha a pasta e depois recomeça, confere a bolsa, confere o dente, tira pelo da camisa, manda o maridão arrumar a postura, olha a unha...e por ai vai.

As 8:40hs avisto uma senhora atravessando a rua e digo pro Maridão que tinha certeza que era ela, ai ele me diz que não porque ela estava simples demais, que devia ser uma professora na escola. Nada, era ela mesmo! Ela disse um "tudo bem" cheio de sotaque pro segurança que em seguida disse que o primeiro casal tinha chegado e apontou para nós, e ai ela veio falar conosco.
Como que por um milagre meu nervoso acabou ali, quando ela nos deu o primeiro "bonjour", perguntou se estávamos lá por Québec e se íamos fazer a entrevista, senti toda a tranquilidade que ela transmitia, que coisa boa! Ela pediu para que aguardássemos um pouco e que subiríamos as 9hs.

Enfim, depois de intermináveis 15 minutos, subimos e em seguida ela nos chamou. Sério gente na hora eu fiquei tããããããõ calma que queria poder sair de mim só pra poder ver minha cara de paisagem, não sei se foi a tranquilidade que a Madame Monique Fortin me passou, se foi certeza de que as coisas estavam acontecendo ou o que, arrisco dizer que foi Deus, mas nossa, como fiquei tranquila! O Maridão me parecia calmo também (depois ele me disse que estava super nervoso hehe).

A primeira coisa que reparei foi o tamanho do nosso dossiê, juro gente, devia ter uns 15cm de altura os papéis! Fiquei boba, não tinha noção de quanto papel eu tinha mandado! Todos estavam lá com todos os bilhetes e post-it que eu mandei. Não me contive e disse:
-Woow! Beaucoup de papier, non?!!! Mon Dieu!!
Ela deu risada e pediu para que sentássemos. Bom já fiquei resgatando na minha cabeça todos os itens para todas as respostas para as possíveis perguntas: História de Québec, geografia, economia, Jacques Cartier, Samuel Chaplain, Celine Dion, neige, froid, sirop d'érable, beaucoup d'éspaces verts, beaucoup de parcs, une ville plus équitable....fiz um download de tudo que eu sabia do Québec na hora! 

Ela começou conferindo os documentos, fazia um comentário ou outro, perguntou se nós queríamos os documentos originais que enviamos esse ano e quando respondi que sim, ai o maridão me solta uma pérola:"Ah c'est bon! On va économiser d'argent!". Ela deu risada e ficou vermelha, eu dei aquela olhada bem feia pro cabeção!

Detalhe importante durante a conferência dos documentos, ela perguntou nossa profissão antes de começar a mexer na papelada e quando eu disse que eu era enfermeira também, a Madame Fortin olhou pra mim com cara de "ué" e olhou pra tabela, procurou a cópia certifiée conforme do meu diploma e adivinhe? Encontrou só a cópia simples do diploma!! Eu tinha mandado em Fevereiro desse ano a copie certifiée conforme e a tradução do diploma e do histórico para aumentar a nossa pontuação. Quando o BIQ solicitou mais documentos em Abril, eu mandei uma cópia simples da copie certifiée conforme do meu diploma e histórico que havia enviado com um post-it explicando tudo e o email que eles me mandaram confirmando o recebimento do meu diploma em fevereiro. Pois os malandros do BIQ fizeram sabe lá o que com meu diploma e histórico e não acrescentaram ao processo. Grrrrrrrrrrrrrr!!!!
Perguntei se não estavam lá, ela deu uma desconversada e perguntou quando eu tinha me formado e se tinha levado o diploma original, entreguei tanto o diploma quanto o histórico e ela disse que me perguntaria sobre a minha formação depois. Maaaas foi ai que caiu a ficha minha gente!! Meu diploma não foi incluído na nossa pontuação! Por isso, acredito eu, que fomos para entrevista! Mas esse BIQ...olha...brincadeira né gente! Como sou a favor da vibe positiva, prefiro pensar que tudo isso foi uma boa experiência e que foi bom pra tirar as teias de aranha do francês, mas o BIQ do México..olha só pode estar de brincadeira, tanta gente esperando há mil anos e nós que poderíamos ter recebido o CSQ em casa, fomos pra entrevista por um erro bobo desses. Espero fortemente que a Madame Monique faça algumas considerações ao MICC sobre o BIQ do México, porque esses erros bobos custam o sonho de muita gente...bom, desabafo feito, podemos seguir em frente!

Começaram então finalmente as perguntas! Ebaaaa, vamos poder falar pelos cotovelos tudo que nós treinamos!!! Só que não. Sabe o que ela perguntou? Pro Maridão:
-Quelle est votre emploi et votre entreprise?
-Blá, blá, blá, bla, blá, blá.....-Maridão não parava mais de falar! Ele só se tocou de parar no quarto "Ok!" que ela disse.
E depois perguntou:
-Do you speak english?
Maridão misturou francês, inglês, virou uma salada, por fim disse que um dos seus projetos era melhorar o inglês. Ela respondeu que tudo bem e fim. Acabou as perguntas para o maridão que é o requerente principal (??????)
Virou pra mim e fez a seguinte pergunta:
-Decrivez-moi ta bluse.
Oi?? Eu fiz uma cara tão surpresa eu acho, que ela ficou muito vermelha. Não entendi o porque daquela pergunta. Perguntei:
-Eeee...ma chemise???
Bom, ai ela se explicou, disse que precisava saber meu nível de francês, mas poxa bem débutant essa pergunta hein?? Foi uma situação engraçada, porque acho que até ela achou a pergunta besta demais pra fazer numa entrevista de CSQ, visto que quem vai pra entrevista se prepara e muito pra falar sobre coisas beeeeem mais difíceis (Pausa para agradecimentos ao prof Eric, prof Maxime e profa Maude por terem nos iniciados nos nossos primeiros debates em francês e que nos deixaram mais que preparados!). Em seguida perguntou do meu trabalho também, fez uma cara de surpresa quando disse que estudei e trabalhei ao mesmo tempo (Modo brésillien de viver meu bem...), perguntou que carreira quero seguir e..só! Zéfini! Não perguntou mais nadinha, não quis ver nada da super mega master blaster pasta que montamos e disse: 


Vous avez été accepté, je vais les donner le Certificat, Bienvenue au Québec!

Gente eu tinha que colocar assim, centralizado, em negrito, só não coloquei umas luzes brilhantes na frase acima porque não sei fazer essas coisas, mas imaginem vocês onde foi parar meu calmo coração...na garganta! E eu sentia ele bater em cada centímetro do meu corpo! A impressora começou a funcionar e eu comecei a pensar na minha filha na mesma hora...ela ia para um lugar melhor! A emoção bateu muito forte nessa hora, finalmente, estava ali a certeza de que iríamos, de que vamos! Foi uma sensação incrível, apesar do papel ser um A4 bem safado como apelidou um colega nosso do grupo de imigração! Sim caro colega, deveria vir em papel de ouro!

Madame Fortin elogiou meu francês, disse que estávamos bem preparados e que tinha certeza que nos sairíamos muito bem no Québec (acho que ela avaliou a nossa preparação com a quantidade de papéis que enviamos hahahaha)
Ela ainda foi super bacana conosco, o Maridão em seu momento verborrágico disse que iriamos trabalhar como Preposé aux bénéficiaires no Québec se por um acaso a nossa equivalência demorasse, e que como nós queremos trabalhar como PAB em Hospitais, iríamos fazer um curso de um mês de ressuscitation cardio-respiratoire (RCR). Ela nos disse que existe um orgão no Québec que auxilia enfermeiros e que poderiamos lá fazer um Reconnaissance des acquis, que serve justamente para utilizar nossa experiência como enfermeiros aqui para trabalhar como PAB em Hospital lá sem precisar fazer esse curso de um mês! Achei muito legal da parte dela, não sabia que dava pra fazer isso! Ponto pra vcs Québeçois! Sempre solícitos!

Acabou e saímos, ai eu desmoronei, toda a calma e adrenalina de antes de começar a entrevista passaram e eu sentia cada célulinha pulando de alegria! Já no térreo, eu e meu Maridão sentamos naquele sofazão da recepção da Aliança Francesa e desabamos a chorar! Me acabei mesmo, soluçava! Que felicidade!! O caminho mais decisivo já tinha acabado e eu me senti fora do meu corpo de tão feliz! 

Quando saímos da Aliança, eu tinha a sensação de estar em algum filme desses meio dramáticos, em que você acha que não vai acabar bem e depois de um revira volta, e uma situação decisiva e desafiadora tudo acaba bem e o mocinho e a mocinha saem caminhando de mãos dadas enquanto a câmera se distancia e acaba com uma filmagem panorâmica da cidade enquanto toca La vie en rose da Édith Piaf. Sim gente, eu viajo muito no poutine, mas foi assim mesmo que eu me senti! Acabou agora o primeiro filme "O CSQ", mas em breve lançaremos "O Federal". 

Queria agradecer a todos que torceram, mesmo sem me conhecer pessoalmente, obrigada! E não poderia deixar de agradecer Aquele Ser Supremo e Todo Poderoso, que quando Ele coloca a mão, não há nada que possa dar errado! Obrigada Deus Pai, esse foi seu presente para nós! Continue conosco nessa jornada!

Chega de escrever né pessoal, acho que já cansei vocês! Por último deixo abaixo a música La vie en rose pra vcs imaginarem o meu filme. Se bem que na verdade a vida está en bleu et blanche com muito orgulho!!



À bientôt mes chèrs amis!!

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Atenção marujos, CSQ à vista!

Amigos companheiros aventureiros!! Como vão vcs? Eu vou bem, alias vou bem BEM! Como disse na última postagem estava meio desencanada com a imigração e me sentia bem tranquila. Pois bem, na sexta feira passada, chegando no trabalho, chega um email mas não pensei que fosse O email. Abri e era do BIQ. E foi então então que sai do estado de nirvana que eu me encontrava e toda aquela enxurrada de sentimentos voltaram, era um email avisando que iríamos pra entrevista! 
Imaginem eu na copa da empresa, tomando meu cafézinho antes de entrar pro trabalho de boa, tranquila e ai leio uma coisa dessas, o coração veio na boca, tomei um gole de café pra ele descer de volta pro peito. Pensei: "beleza, finalizaram, não significa que vai ser logo, calma garota!" 
Então liguei pro maridão:
-Mo, abriu seus emails? - Com a voz mais normal do mundo
-Perai. 
-Viu O email?
-Hum...email do Biq, vamos pra entrevista né?- A coisa mais comum do mundo isso acontecer né gente.
-Sim. - Tentando "parecer" normal.
-É, sabia que a gente ia acabar indo...mas não deram data né? Era esperado Mo, vamos aguardar pra ver como vai ser, pelo menos temos uma definição. - Ele deve ter passado por outro processos de imigração e está super acostumado com essa situação, só pode! 
-Sim é verdade. - Tentando me convencer do que ele estava dizendo. Mas uma pergunta ressoava na minha cabeça: Porque sendo nós dois enfermeiros não mandaram o CSQ em casa? Quanto tempo mais iria demorar! Fiquei pensando no pessoal que espera desde 2011 e fiquei pensando se teria a mesma força de vontade pra esperar que eles estão tendo..fiquei lutando pra não me deixar consumir pela ansiedade novamente. Eu sabia que a missão de entrevistas seria em setembro aqui no Brasil então já fui me incluindo nas entrevistas do ano que vem. Comecei a me sentir mais tranquila para conseguir seguir com meu dia.
Pois eis que umas duas horas depois mais ou menos, vi que tinha um email do BIQ -pensei: "ué, outro??", ai abri o email despretensiosamente e o assunto era: Convocation à une entrevue de sélection. Abri e la dizia que já marcaram a nossa entrevista na Aliança Francesa de São Paulo para o dia 18/09!!! O coração parou. Bateu forte e a cor com certeza sumiu do meu rosto, pensei: "Mas já????!!!!!!".
Gente eu não pude dar um gritinho sequer!!! Não pude dar um pulinho de alegria!! Mas por dentro eu dava cambalhotas e virava estrelinha! Me imaginei igual uma menina de xuxinha no cabelo pulando porque ia ganhar uma boneca nova. Maaas fiz cara de paisagem e fui ligar pro Maridão que já tinha visto o email e ai sim se mostrou um ser humano normal! hahaha Nossa voz tremia e a gente disse tantas coisas que eu nem lembro direito! Mas a felicidade...olha, foi incrível, finalmente os caminhos se abriram e podemos lidar com a imigração como algo mais palpável agora! 
Agora caros amigos, estamos nos preparando pra entrevista, o francês anda meio morno, voltaremos a fazer aulas particulares semana que vem e estamos fazendo a temida "pasta"! 
Achei na minha inocência que receberíamos o CSQ em casa, mas no fantástico mundo de BIQ tudo pode acontecer e eu devia ter esperado por isso, agora é correr atrás do prejuízo né gente e esperar pelo GRANDE dia!
Nos desejem sorte mes amis!! Desejo o mesmo para todos vcs, só quem está nesse processo entende a angústia, mas gente..vale a pena, VAI valer a pena, quando chegarmos lá tudo fará sentido, e acreditem, TODOS nós chegaremos!
                                            Volto pra contar como foi a entrevista! Á bientôt!!
Feliz da vida gente!!

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Esquece a ansiedade e vai dormir...sorrir..quer dizer, viver!

Caaaaaaros amigos imigrantes, como vão? Não, eu não tenho novidades. Não, eu não recebi nenhum email do Biq. Sim, o Biq entrou na onda das greves e resolveu não finalizar nenhum pedido do Brasil (só pode).
Mas apesar da demora, da vontade de ir embora, estou mais calma do que nunca. Até eu estou surpresa comigo mesma. O Maridão esses dias do nada me disse:
-Tá tudo bem? - Com uma cara bem indignada
-Claro, pq? tô com cara de doente, abatida ??? - Pensei que a maquiagem tinha saído e eu estava com cara de cansada, sei lá.
-É que vc nunca mais falou nada do Québec...vc nem olha mais o seu celular toda hora!
E foi ai que eu me dei conta: Fazia dias que eu nem pensava e nem lembrava mais das coisas relacionadas a imigração (???) Me choquei comigo mesma!
Desde o dia (aquele dia da palestra lembra? ), não teve um dia sequer que eu não tenha pensado no Québec desde então. Tenho pesquisado, lido, escutado, me informado, conhecido pessoas, entrado em forúns, blogs e tudo mais. Mas além disso, tinha os meus pensamentos fervilhando na minha cabeça: "antes de ir vou fazer isso, qdo chegar lá vou fz aquilo.." e por ai vai.
Fiquei assistindo as minha emoções depois que minha ficha caiu de que eu não estava tãããõ engajada assim na "causa" como antes e cheguei a seguinte conclusão caros amigos:

Não adianta pirar!!

Primeiro pensei que era desmotivação. Não era, continuo querendo muito ir morar na terras geladas.
Depois achei que era pq eu estava de saco cheio: Não, apesar de tudo que aconteceu (pedido de mais documentos, gastos com mais traduções e tal) não estou de saco cheio, faria tudo de novo se fosse necessário (espero que não seja!)
Pensei até que era porque minha vida aqui estava boa (emprego novo pra mim e pro maridão) e que não era mais assim tão importante ir para o Québec e que a qualidade de vida aqui seria boa também...(pausa para risos, muitos e muitos risos, fiquem a vontade!) e não, não é isso MEEEEESMO! Quase me dei um tapa na cara, sabe qdo vc tem aqueles devaneios imbecis?? E precisa vir alguém e te dar um tapa pra vc acordar? então..Bom esse pensamento durou alguns segundos, ufa!
Por fim, cheguei a conclusão mais sensata: Estou paciente! Estou calma! Não desisti de ir embora, não esqueci o que quero, mas acho que nós (eu e o Maridão) encontramos um equilíbrio entre continuar em frente com duas coisas ao mesmo tempo : imigração e a nossa vida agora que não pode parar. Cheguei a um ponto de conseguir discernir o que fazer pra vida aqui continuar e ao mesmo tempo me preparar para o Qc. Continuei todos esses dias lendo páginas de notícias de Qc, lendo blogs de lá e acompanhando os fóruns, mas sem correr pra abrir os emails em seguida e ficar me lamentando por não ter recebido nenhuma resposta ainda. Os emails chegam no meu celular mas não paro tudo pra ver se é do Biq. A vida continua e faz parte dessa continuidade ir embora por Québec, e sim, eu acredito que esse dia vai chegar e aquele grito de alegria, aquele sentimento de felicidade que vou sentir será imensamente melhor pq não me desgastei até lá, a experiência terá sido de amadurecimento e preparação, e não de angústias e sofrimentos.

Bom , não sabemos ainda o que nos espera, como cristã acredito que Deus tem o melhor pra nós seja lá em Québec ou aqui no Brasil, acredito que agora estou pronta pra viver o que vier para mim e minha família...mas me orgulho em dizer: Québec, estamos prontos pra viver nosso futuro com você!